http://www.facebook.com/events/188988831235933/
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O primeiro estudo científico da onça-pintada em ambiente selvagem com o uso da telemetria foi realizado no Pantanal. O projeto teve início no final da década de 1970, e foi coordenado pelo naturalista norte-americano George Schaller, da New York Zoological Society. Do ponto de vista científico, a onça se torna uma unidade produtora de dados a partir do momento em que recebe a coleira equipada com o rádio transmissor. Vagando pelos campos em busca de caça, as onças que usam essas coleiras produzem inscrições, coordenadas que vão se acumulando e são processadas em mapas. Os modelos mais modernos de transmissores são equipados com sistemas GPS, programados para armazenar dados de localização em intervalos regulares via satélite.
A partir dos dados obtidos em campo, os estudos ecológicos trabalham com ferramentas quantitativas como o PHVA (Population habitats and viability analysis), que consiste na compilação uma série de dados diferentes em sistemas computacionais, na elaboração de mapas complexos e nas previsões de quadros futuros para uma determinada espécie em termos estatísticos.
Para a biologia da conservação, a onça é um agente ecológico em diferentes sentidos. Em primeiro lugar, ela desempenha um papel como predador no topo da cadeia alimentar, com impacto nas populações de outros animais e no equilíbrio dos ecossistemas. É apontada também como uma espécie carismática ou espécie bandeira para a conservação ambiental, assim como para o ecoturismo na região do Pantanal: Um animal que mobiliza projetos de preservação e que atrai visitantes para a região. Um terceiro sentido provém da ecologia das paisagens: Laury Cullen (link abaixo) designa a onça-pintada como um detetive ecológico, isto é, um animal cuja presença é um indicador de biodiversidade. Neste caso, a descrição e o mapeamento das rotas usadas pela onça e sua permanência em fragmentos florestais podem indicar áreas que devem ser conservadas ou que funcionam como corredores de vida silvestre.
Referências:
http://www.ipe.org.br/pontal/detetives-ecologicos
SCHALLER, George B. 2007. A naturalist and other beasts: tales from a life in the field. San Francisco: Sierra Club Books.
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As armadilhas fotográficas foram desenvolvidas nos EUA para o manejo de animais de caça e adaptadas pela biologia da conservação às pesquisas com mamíferos selvagens. Foram aplicadas no estudo de tigres na Índia por Karanth e Nichols (1998), associadas a modelos de captura e recaptura, e posteriormente usadas em estudos com a onça-pintada (Silver 2005; Da Silva 2011). O padrão gráfico das listras e pintas dessas espécies (a malha da onça, como dizem os pantaneiros) é como uma impressão digital dos animais, que permite aos pesquisadores identificá-los individualmente.
Armadilhas fotográficas podem ser usadas para determinar a distribuição (presença ou ausência) ou para estimar a abundância de uma espécie em determinada região. O equipamento é composto por sensores de movimento e câmeras automáticas comuns protegidas por caixas de plástico resistente (o uso de câmeras digitais só se difundiu no final da década de 2000, depois que a indústria resolveu a questão do delay para tornar a armadilha eficiente). Em estudo realizado no Pantanal, Soisalo & Cavalcanti (2006) compararam os resultados obtidos com coleiras GPS aos resultados obtidos com armadilhas fotográficas, questionando protocolos estabelecidos para estas a avaliação de abundância da onça-pintada a partir dessas últimas.
A armadilha da foto é da marca norte-americana Stealph Cam, usada pelo Projeto Onça Pantaneira em 2008 (ver post abaixo sobre o assunto)
Referências:
Da Silva, M. X. (2011). “Armadilhas Fotográficas”. Site Fotografia Científica. Disponível em http://www.fotocientifica.com/2011/08/fotografia-cientifica.html. Acesso em 12/09/2011.
Karanth, K.U. e Nichols, J.D. (1998) “Estimation of tiger densities in India using photographic captures and recaptures”. Ecology 79(8), 2852–2862.
Silver, S. C. (2005) Estimativa de Abundância de Onças-Pintadas Através do Uso de Armadilhas Fotográficas. Wildlife Conservation Society, NY.
Soisalo, M. K.; Cavalcanti, S. M. C. 2006. “Estimating the density of a jaguar population in the Brazilian Pantanal sing camera-traps and capture-recapture sampling in combination with GPS radio-telemetry”. Biological Conservation, 29 (4): 487-496.
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