Monday, October 3, 2011

Onça de coleira, onça científica

O primeiro estudo científico da onça-pintada em ambiente selvagem com o uso da telemetria foi realizado no Pantanal. O projeto teve início no final da década de 1970, e foi coordenado pelo naturalista norte-americano George Schaller, da New York Zoological Society. Do ponto de vista científico, a onça se torna uma unidade produtora de dados a partir do momento em que recebe a coleira equipada com o rádio transmissor. Vagando pelos campos em busca de caça, as onças que usam essas coleiras produzem inscrições, coordenadas que vão se acumulando e são processadas em mapas. Os modelos mais modernos de transmissores são equipados com sistemas GPS, programados para armazenar dados de localização em intervalos regulares via satélite.

A partir dos dados obtidos em campo, os estudos ecológicos trabalham com ferramentas quantitativas como o PHVA (Population habitats and viability analysis), que consiste na compilação uma série de dados diferentes em sistemas computacionais, na elaboração de mapas complexos e nas previsões de quadros futuros para uma determinada espécie em termos estatísticos.

Para a biologia da conservação, a onça é um agente ecológico em diferentes sentidos. Em primeiro lugar, ela desempenha um papel como predador no topo da cadeia alimentar, com impacto nas populações de outros animais e no equilíbrio dos ecossistemas. É apontada também como uma espécie carismática ou espécie bandeira para a conservação ambiental, assim como para o ecoturismo na região do Pantanal: Um animal que mobiliza projetos de preservação e que atrai visitantes para a região. Um terceiro sentido provém da ecologia das paisagens: Laury Cullen (link abaixo) designa a onça-pintada como um detetive ecológico, isto é, um animal cuja presença é um indicador de biodiversidade. Neste caso, a descrição e o mapeamento das rotas usadas pela onça e sua permanência em fragmentos florestais podem indicar áreas que devem ser conservadas ou que funcionam como corredores de vida silvestre.

Referências:

http://www.ipe.org.br/pontal/detetives-ecologicos

SCHALLER, George B. 2007. A naturalist and other beasts: tales from a life in the field. San Francisco: Sierra Club Books.